08/01/2012

O QUE FAZ VALER A PENA

Abaixo o e-mail que recebemos do amigo Delarte... e o título deste post já diz o que sentimos.
Confiram...




"Caríssimos Rubens e Mercedez, tudo bem com vocês? Que este ano seja de muitas sementes e farta colheita!

Finalmente consegui um tempo para terminar de ler a revista e, conforme prometi (já que a revista está ainda nascendo), passar minhas impressões... Acho que vai ficar um pouco longa, mas de repente podem - ou não – serem úteis para vocês...

Vamos lá...

Puta-que-o-pariu!, tudo muito ducaralhão!
Bem,  não é rasgação de seda, não sou disso, e creio que vocês têm idéia do que estão rebosteiando por aí: algo que eu pagaria caro para ter e que me vem de graça.

Esta edição, roubando as palavras do Rubens para um crônica que soltei, já é “antológica”, e por seu caráter universal e atemporal, ainda espero um dia tela impressa nas mãos (embora eu tenha acabado com a tinta do escritório, imprimindo-a com cores e com a melhor nitidez possível...rsss)

Incrível a agudeza e a sensibilidade de vocês, sem contar o poder de reunir tanta gente talentosa, diferente (no melhor sentido do termo) e engajada no universo artístico e cultural...

O relato da transgênere (putz, nem sei se digo transgênere ou transgênera) foi de emocionar, profundo, sincero, transgressor... Aliás, fiquei pensando o quanto nossa a língua (as latinas, principalmente) funcionam como mecanismo para essa redução “genérica”, visto que o “o” e o “a” já delimitam esses dois e únicos universos de gênero. Coisa que não ocorre com o inglês, que não marca gênero nos substantivos e adjetivos, e ainda tem um terceiro pronome (o “it”), embora este seja para “abstrações/coisas/animais” e não para um outro gênero... Enfim, pensando nessas estruturas, questionei-me se teria como criarmos cirurgicamente uma marcação de gênero neutro (ou transgênero) e um terceiro pronome  na língua portuguesa. Coisa de quem não tem o que fazer, né? Ainda estou a pensar nisso, algo, por exemplo, como um pronome “Elela” e um marcador de gênero “y”... Bem, deixa eu parar de viajar e ir ao que interessa... rss

Os quadrinhos, poemas, a homenagem ousada ao “Druuna”, tudo muito diversificado e com bastante valor discursivo e estético. Curiosidades, como o triângulo amoroso Nitetzschiano, ficaram deliciosas também.

O ensaio fotográfico com travestis, muito bom, sensual, bastante oportuno.

O conto do Marcelino, tão natural, tão despojado, que parece funcionar como instrumento de “naturalização/aceitação” desse “agir” que não surge como “diferente”, um discurso um pouco a frente de seu tempo e que abre e cria o próprio caminho dele se inserir. Muito necessário.

De um lado, uma matéria falando de “poliamor” - de uma maneira concisa, coerente, reveladora - e do outro, uma falando de “normalidade”/felicidade na “assexualidade”: destruíram! O senso de “abrangência” da revista foi a mil!

 Tentei achar um ponto falho em tudo, mas não consegui, juro que tentei. 

Bem, devo estar esquecendo de algo, mas queria encerrar comentando algo que, embora sutil, achei muito louco!, e tem a ver com a disposição do meu conto. O título, jogado ali ao final do 2º parágrafo, causou um efeito totalmente cinematográfico. Isso foi consciente, ne?rsss Chego a escutar uma trilha musical surgindo com o título. Creio que o conto traz, por sua estrutura e “introdução” nesses parágrafos iniciais, internamente, esta possibilidade, mas achei que ficou tão legal, tão outra coisa, que deveria ter a nota de “coautoria” de vocês ali... rsss

É isso aí, muito legal poder colaborar com vocês e faço votos de que a coisa cresça, de que surja a possibilidade de uma versão impressa (no que puder ajudar, conte comigo para isso).

Última colocação, vocês vão seguir com edições temáticas? Só para eu ter uma idéia... Acho que a coluna do “projeto afro” se encaixaria nas “não temáticas”, e para as temáticas, eu posso compor ou buscar algo que se acrescente ao todo, como ocorreu, inesperadamente, com a minha doce Juliette... rs Nesse sentido, gostaria que apenas me comunicasse o "espírito" da edição que imediatamente está por vir...


Força, paz, tranquilidade,

Axé!


Delarte"





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